"Tantas
meninas em uma face de mulher madura. Tantas mulheres em uma alma de
menina… Tantas figuras que o sonho fez florescer e a realidade fez
crescer abruptamente! Tantas verdades a serem ditas e que foram caladas
pelas idas e vindas do tempo que se fez… Tantas feridas, tantos algozes,
tantas injúrias e intrigas a ela direcionadas… São tantas ‘tantas’ que
nem ela sabe ao certo quantas!
Ela
se recorda… Em muitos momentos ela é só recordação! Talvez porque, mesmo
não oferecendo quase nada, o passado ainda lhe ofereça mais refúgio do
que esse futuro turvo que se descortina. E refúgio quente, com cheiro de
colo e gosto de saudade. Ela, às vezes, também é só saudade! E é tanta
saudade junta que ela se recolhe. Se esconde num canto escuro do porão
das lembranças guardadas para ir de encontro à menina que um dia foi e
com ela comemorar, montada na cauda de um foguete, sua meninice perdida e
achada numa traquinagem qualquer.
Ela é
só uma menina que quer ser uma mulher… Ela é só uma mulher que não quer
mais ser uma menina… Ela é uma pequena menina com alma de mulher… Mas,
acima de tudo, é uma grande mulher com alma de menina!"
(Barbara Nonato)
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