Enquanto juntamos retalhinhos...ouvimos doces melodias...

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domingo, 8 de setembro de 2013

"Mas se alguém perguntar como estou, direi apenas que estou indo. Sem destino, sem bagagem. Talvez eu possa preencher o tempo com as coisas novas que o tempo trouxer… Talvez no escuro de mim mesma seja possível ver a luz… E mesmo que seja só uma vela acesa ao vento, será luz. Ainda assim luz. Luz de um porquê qualquer, de uma desventura, de possíveis alegrias ou esperanças diminutas que venham a brotar.
Mas se alguém perguntar onde estou, direi apenas que em algum lugar. Sem latitude, sem longitude. Um lugar qualquer onde possa reencontrar o sonho que perdi e não me recordo onde… Um lugar qualquer onde o inverno seja mais acolhedor e onde o calor possa crescer de dentro pra fora… E mesmo que seja um lugar distante, será o meu lugar. Um beco, um canto de poucos encantos, onde as pilhas de nada que levei, em decoração rústica irão se fundir com os aglomerados de muito que eu encontrar.
Mas se alguém perguntar pelos que deixei, direi apenas que os mantenho aqui. Sem amarras, sem lonjuras. Cada qual ocupa seu próprio instante exatamente como antes… Cada qual com o devido peso e valor que sempre lhes atribuí… E mesmo que estes tantos sejam poucos, serão meus companheiros nessa jornada. Uma estrada de pedras, um caminho de flores, uma vida a ser vivida.
E se ainda assim alguém perguntar quem sou eu… Ah!… Direi apenas que sou eu mesma… Aquela que sempre fui, dando voltas pra atravessar o mundo… Aquela sem jeito certo; sem o traquejo entre últimos e primeiros, só meios…  Aquela que mantém os olhos abertos, a grafia petulante e um friozinho na barriga; buscando uma bagagem de tempos novos, em um lugar que eu mesma escolhi, com aqueles que sempre amei."

(Barbara Nonato)

sábado, 7 de setembro de 2013

"Tantas meninas em uma face de mulher madura. Tantas mulheres em uma alma de menina… Tantas figuras que o sonho fez florescer e a realidade fez crescer abruptamente! Tantas verdades a serem ditas e que foram caladas pelas idas e vindas do tempo que se fez… Tantas feridas, tantos algozes, tantas injúrias e intrigas a ela direcionadas… São tantas ‘tantas’ que nem ela sabe ao certo quantas!
Ela se recorda… Em muitos momentos ela é só recordação! Talvez porque, mesmo não oferecendo quase nada, o passado ainda lhe ofereça mais refúgio do que esse futuro turvo que se descortina. E refúgio quente, com cheiro de colo e gosto de saudade. Ela, às vezes, também é só saudade! E é tanta saudade junta que ela  se recolhe.  Se esconde num canto escuro do porão das lembranças guardadas para ir de encontro à menina que um dia foi e com ela comemorar, montada na cauda de um foguete, sua meninice perdida e achada numa traquinagem qualquer.
Ela é só uma menina que quer ser uma mulher… Ela é só uma mulher que não quer mais ser uma menina…  Ela é uma pequena menina com alma de mulher… Mas, acima de tudo, é uma grande mulher com alma de menina!"

(Barbara Nonato)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

"As borboletas estavam todas lá, do lado de fora da janela. Em diversas cores, em variados tamanhos… Faziam, a cada manhã, um balé intenso e belo além das vidraças. Ora pousando, ora voando longe pra depois voltar, eram parte daquele lugar. Do lado de dentro nem borboletas, nem mariposas, nem vagalumes; apenas uma vontade imensa de olhar além da janela, de ver além do tempo, de sentir além do sentimento original e de ir além do lugar onde as borboletas podiam levar seus pensamentos."


(Barbara Nonato)

quarta-feira, 21 de agosto de 2013


"E vai a moça! Caminhando firme na estrada torta que Deus escolheu para lhe fincar os pés de anjo. Seguindo a vida, consertando aquilo que não se conserta e sentindo aquilo que somente ela sentiu. As perda, as dores… São dela mesmo sendo nossas. O tempo não cura, mas ele se encarrega de acomodar as coisas que a realidade bagunçou e que o coração ainda não entendeu. E vai a moça, descortinar o futuro bonito que lhe brota e viver o tanto que lhe resta."


Boa viagem, moça!

(Barbara Nonato)