Enquanto juntamos retalhinhos...ouvimos doces melodias...

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

DE REPENTE

Estou triste... Pensando bem, sempre sou...
A felicidade escorre pelo canto da boca...
Meu paladar divorcia-se de sua doçura ...
O pássaro da alegria mal pousou, já voou...

Sua presença cessava minha dor
inundando-me com certa beleza de flor!
Porém, fui despejado de sua companhia
e onde quer que eu vá, não acho alegria...
Seguiremos despedaçados...
Outros colherão o que em nós,
por nós,
foi plantado...
Cada amor vindouro será torturante
em lábios estranhos, um sabor semelhante...
Peregrinaremos em busca de nós,
aceitando migalhas, um olhar, uma voz...
Foi num susto
que a chegada se fez despedida
que o encanto fez-se espanto
que a alegria fez-se ferida...

Cláudio Andrade

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

ESCRIVANINHA POÉTICA

A brisa balança as flores de meu jardim secreto. É nesse ambiente de sonho que unto os tijolos de meu cortiço. Ando despossuído de qualquer coisa, a propriedade caducou, azedou nos olhos o sabor dos saberes. E os valores já não valem muito!
Andarilho, remexo o lixo garimpando o maravilhoso. Levo à boca a migalha desprezada que porta o fantástico mais profundo!
Sou serpente cortando o vento com asas metálicas. Só quero travessuras!
Não recordo quando foi que me tornei refém de sonhos... Tenho feito até mágica balbuciando encantamentos selvagens.
Vou me desfazendo enquanto me estilhaço, doce fragmento!
Vou bifurcar o abismo!


Cláudio Andrade

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

"SÊ-MITÉRIO"
Sôfrego o coração asfixiado
Pelas dores da primavera visitado
Traz à sua tumba esse buquê de flores
Metáfora derradeira de nossos primores

A morte precoce floresceu em seus olhos, sob seus cílios
Roubou minhas cores, levou meu perfume, colheu os meus lírios
Os vermes decompuseram meu sol, precipitando invernos glaciais
Insano, espero que o além derreta a pálida paz por onde hibernais
Seus restos mortais aqui enterrados
Com eles meu sorriso, meu prazer sepultado
Morta, não retribuis a minha visita
E eu querendo um sinal como uma luz que crepita
Em torno de seu descanso, balançam as folhas das árvores
Um vento gélido, nevoeiro de tristeza envolvendo seus mármores
No divã, dormes imaterial o sono dos bons indiferente à minha dor
Sigo obstinado em meu ritual esperando ressuscitar-te com meu amor...
Cláudio Andrade