Enquanto juntamos retalhinhos...ouvimos doces melodias...

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sábado, 22 de março de 2014

Recomeçar devia ser tão mais fácil.
Devia. Mas não é.
A gente erra uma vez, duas, três.
Sofre, desacredita, encolhe, mas jura que aprende, e que está pronto para o novo.
Até que ele acontece, normalmente surgido do acaso.
Às vezes acanhado e fugidio, mas sempre convidativo e tentador.
E há uma possível (e incrível) chance de sermos felizes mais uma vez.
E a gente quer.

Mas é exatamente aí que surge o medo.
Antes do esboço de um novo sorriso, antes que nossas mãos se estendam para o toque, para a troca.
O medo é o truque, o troco, o troço...
e está sempre ali, afetando meu julgamento, nascido das historias tortas que ficaram pelos caminhos.

Torço então para que Deus me proteja desse maldito medo empírico, porque recomeçar devia mesmo ser mais fácil, e porque não quero mais ver minhas coragens derretendo.
Quero entrar na boca desse dragão, caminhar dentro dele ignorando a possibilidade de me dissolver. Quero enfrentar o monstro até que eu me sinta em paz.
O medo é feito de um silêncio resignado,
e não é isso que eu quero.
Eu quero o amor.
E o amor é para os fortes.

(Solange Maia)


sexta-feira, 21 de março de 2014

Já não ando mais apressada, pelas grandes vias.
Tenho estado nas vicinais, muito mais vazias, muito mais serenas. As estradas de terra e sua ancestralidade criam irreproduzível intimidade em mim.
Sou essa terra, sou essa calma.

Acho então que só agora começo aprender um pouco a vida.
Talvez pelo tanto de vezes que me lancei ao novo, ao outro, ao éter, sempre em busca de um prazer que não vinha. Talvez pelo ar que muitas vezes me faltou e ninguém viu, talvez por um cansaço precoce...

Parece loucura, mas o suprassumo tem sido aprender a perder. Perco a pressa. Perco as certezas. Perco a imensa coleção de pensamentos endurecidos que acumulei em mim.
Perco a ansiedade e as reações exageradas, o medo paralisante e o interesse por pessoas que estão, mas não estão. Esvazio a cabeça caminhando, e já não me preocupo em agradar a toda gente. 
Perco até mesmo a mim,
e só ganho com isso.

A esta altura, já não tenho a ilusão da eternidade, e assinaria embaixo a deliciosa frase dita por Gilberto Gil em seu aniversário de 70 anos :
- Me dou cada vez menos importância !

(Solange Maia)

sábado, 25 de agosto de 2012

"Não ache que você consegue me entender 
com meia hora de prosa.
Sou tal qual moringa d’água. 
Simples à primeira vista, como uma boa cerâmica,
mas quem me vê assim, só querendo matar a sede, só de
passagem, não faz idéia da trajetória do meu barro, 
nem das tantas
vezes que desejei mudar o meu destino."
(Solange Maia,blog:Eucaliptos na Janela)