Enquanto juntamos retalhinhos...ouvimos doces melodias...

Mostrando postagens com marcador Manoel de Barros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Manoel de Barros. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Eu queria aprender
o idioma das árvores.
Saber as canções

do vento nas folhas da tarde.
Eu queria apalpar

os perfumes do sol.


Manoel de Barros

sábado, 18 de outubro de 2014

Eu tenho um ermo bem dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando era criança eu deveria pular muro para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto. Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores.

- Manoel de Barros

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

"Sabiá de setembro tem orvalho na voz.
De manhã ele recita o sol."

* Manoel de Barros *

Agora mesmo enquanto eu escrevo,canta majestosamente o sabiá.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.

Palavras que me aceitam como sou - eu não 
aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva etc etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.

Eu penso renovar o homem usando borboletas.

Manoel de Barros