O amor pede silêncio
Acho lindos esses amores escancarados, que são cuspidos na cara de quem quiser ver.
Acho lindas todas as manifestações públicas de afeto, mas acho ainda mais lindo o sentir.
Do que adianta sorriso no rosto, sentimento exposto e coração frouxo?
O amor é um sentimento que não se explica, se aplica apenas, todos os dias.
Você o faz crescer, independente de anunciá-lo aos quatro cantos e aos sete ventos.
Amor é quase um sussurro, um burburinho bom, causado pelo pensamento e pelo coração, na mais repleta conexão.
Então, prefira amar, ao invés de proclamar. Ninguém ama com tanto barulho. O amor pede silêncio absoluto.
É neste ambiente calmo e acolhedor que ele cresce, repentinamente, engolindo qualquer som que seja mais forte que o danado tum-tum-tum, que só um bom coração sabe repetir com clamor.
Portanto, faça silêncio e escute o seu coração.
(Ju Fuzetto)
Enquanto juntamos retalhinhos...ouvimos doces melodias...
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quinta-feira, 19 de junho de 2014
quarta-feira, 30 de abril de 2014
As partidas são inevitáveis, dear, os corações desfilam apressados atrás de algum outro sentimento que edifique.
Somos todos ciganos em busca do melhor lugar para se viver e, acredite, acharemos novamente um ao outro, numa esquina de Berlim, numa ponte interditada de algum outro lugar, ou no riso que jamais se esqueceu.
Um oceano nos separara, escalaremos montanhas de imprevistos, muitas avalanches nos desmontarão, antes que a gente se esbarre num desfile de sete de setembro, ou numa missa de fim de ano.
Imploraremos um sinal bebendo o por do sol, eu daqui, você daí, enquanto a loucura nos impulsiona pra vida, estaremos estacionados numa linda recordação que dói.
E qual é a vantagem de levar as malas, os desenganos que ficaram para trás, se a gente só carrega no peito o que bonito foi?
Portanto, não me diga adeus, até breve é um risco.
E, sabe, eu sei, a gente ainda vai se encontrar.
(Ju Fuzetto)
Adoro a maneira que ela escreve...(Naõ sei porque é o primeiro dela aqui.)
Somos todos ciganos em busca do melhor lugar para se viver e, acredite, acharemos novamente um ao outro, numa esquina de Berlim, numa ponte interditada de algum outro lugar, ou no riso que jamais se esqueceu.
Um oceano nos separara, escalaremos montanhas de imprevistos, muitas avalanches nos desmontarão, antes que a gente se esbarre num desfile de sete de setembro, ou numa missa de fim de ano.
Imploraremos um sinal bebendo o por do sol, eu daqui, você daí, enquanto a loucura nos impulsiona pra vida, estaremos estacionados numa linda recordação que dói.
E qual é a vantagem de levar as malas, os desenganos que ficaram para trás, se a gente só carrega no peito o que bonito foi?
Portanto, não me diga adeus, até breve é um risco.
E, sabe, eu sei, a gente ainda vai se encontrar.
(Ju Fuzetto)
Adoro a maneira que ela escreve...(Naõ sei porque é o primeiro dela aqui.)
sexta-feira, 25 de abril de 2014
É errado, bem sei, mas como passar por um furacão sem me abalar, como salvar a própria pele, se sou um estereótipo mal feito de tudo que me aclamam? De certo criei minha própria imagem, covarde e imunda. Cavei minha cova. Tendo em vista essa erva daninha que sou, jamais serei rosa. A fraca brisa que sopra já me abala inteira. Pinto-me de forte assim que abro os olhos, mas a máscara é tão mal colocada em meu rosto, que desmancha na primeira esquina. E ninguém percebe porque — como uma erva daninha num mato qualquer — ninguém nota. E, quando me notam, logo percebem que afrouxo, dissemino meu veneno, minha eterna pose de anjo. Não, não, ninguém me vê como sou. Reparam apenas na falsa delicadeza que transmito religiosamente e incansavelmente. O que sou? Não sei, só sei que não sou e isso é tudo. Tudo que tenho, sem querer ter, apenas ser. E ser, não basta.
Parceria Ju Fuzetto e Maria Fernanda Probst
Parceria Ju Fuzetto e Maria Fernanda Probst
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Moça-solidão
Ela sabia que aquele tipo de solidão rimava com aflição, mas ainda vivia num mundo de falso desapego e consequente desilusão. Rodava por aí como se nada fizesse sentido e como se lidasse bem com a própria mentira. Morria de medo da dor, mas, para seu azar, a dor parecia ter uma especial predileção por ela.
Pobre menina, amparada pela piedade de seu próprio martírio. Certas vezes, mantinha-se enlaçada no manto que a fragilizava, outras, saia despreocupada, despida da agonia que a blindava, vagava tentando manter-se intacta ao sofrimento, mas à noite, a saudade embrutecia seu sono e infiltrava grandes doses de tempestades em seus olhos. Molhava o travesseiro e a alma, mas mantinha a postura seca e ligeiramente sóbria ao amanhecer. Puro ato de coragem, ou não, era assim que toda a sua fraqueza se transformava em fortaleza.
Ela não tinha a quem recorrer além de alguns poucos amigos, umas doses de qualquer coisa que lhe tirasse do ar de vez em quando e um velho diário. Velho porque o começara há muito tempo, mas escrevia quase que mensalmente apenas e, nas poucas linhas, despejava os seus anseios, algumas bobagens doces e pesadelos amargos. Era seu consolo escrever até amanhecer, prostrada na amargura, ou numa loucura. A escrita era o seu único passaporte para saltar de dentro de si. Então, escrevia coisas açucaradas, mas seu paladar intuitivo pedia mais.
Rabiscava outros mundos, alguns azedos, outros sem gosto. Ia do amor à dor sem chorar, guardando cada sílaba na boca, pronta para beijar algum sapo, ou algum príncipe que pintasse no seu faz de conta. Sabia que isso podia ser real, mesmo assim decidiu trancar-se na antiga dor de sempre, naquela bendita companhia acolhedora. Eram amigas íntimas e, de vez em quando, uma se embutia na outra, ora moça, ora solidão. Mas a solidão enlouquece e um dia ela se viu diante da oportunidade de despejar seus anseios, provavelmente realizá-los, quando encontrou alguém que ria das mesmas bobagens, alguém que também açucarava, mas sabia acrescentar pimenta e sal na medida, e que também tinha pesadelos amargos, às vezes acordado. Alguém que sabia caminhar em meio à nebulosidade de sua mente, mas também sabia que ela podia ser dissipada com um sopro de carinho. Sim, ela encontrou esse alguém. Pois mesmo trancados e escondidos, acabamos sendo descobertos. Uma escorregada pelo mundo exterior e corremos o risco de virarmos alvos. Assim, sem nem pensar a respeito, ela foi encontrada. Ser encontrada não é o problema. O problema é se deixar encontrar. E a moça-solidão foi: caminhando rumo a um encontro que poderia ser desastroso, mas surpreendentemente, não foi.
Então ela, boquiaberta e braços escancarados, na ponta dos pés, querendo alcançar a lua, voou em direção à colisão: de almas, de corpos, de suores, de existência. Deixou largada no canto do quarto a roupa de solidão. Já não caía bem mesmo. Só agora ela percebia: parecia ter sido feita por um costureiro muito ruim, sem nenhum senso de estilo e que ainda por cima não gostava dela. Não, não. O tecido pinicava. Chega de se vestir de NÃO.
Mais um conto da parceria Ju Dacoregio e Ju Fuzetto
Ela sabia que aquele tipo de solidão rimava com aflição, mas ainda vivia num mundo de falso desapego e consequente desilusão. Rodava por aí como se nada fizesse sentido e como se lidasse bem com a própria mentira. Morria de medo da dor, mas, para seu azar, a dor parecia ter uma especial predileção por ela.
Pobre menina, amparada pela piedade de seu próprio martírio. Certas vezes, mantinha-se enlaçada no manto que a fragilizava, outras, saia despreocupada, despida da agonia que a blindava, vagava tentando manter-se intacta ao sofrimento, mas à noite, a saudade embrutecia seu sono e infiltrava grandes doses de tempestades em seus olhos. Molhava o travesseiro e a alma, mas mantinha a postura seca e ligeiramente sóbria ao amanhecer. Puro ato de coragem, ou não, era assim que toda a sua fraqueza se transformava em fortaleza.
Ela não tinha a quem recorrer além de alguns poucos amigos, umas doses de qualquer coisa que lhe tirasse do ar de vez em quando e um velho diário. Velho porque o começara há muito tempo, mas escrevia quase que mensalmente apenas e, nas poucas linhas, despejava os seus anseios, algumas bobagens doces e pesadelos amargos. Era seu consolo escrever até amanhecer, prostrada na amargura, ou numa loucura. A escrita era o seu único passaporte para saltar de dentro de si. Então, escrevia coisas açucaradas, mas seu paladar intuitivo pedia mais.
Rabiscava outros mundos, alguns azedos, outros sem gosto. Ia do amor à dor sem chorar, guardando cada sílaba na boca, pronta para beijar algum sapo, ou algum príncipe que pintasse no seu faz de conta. Sabia que isso podia ser real, mesmo assim decidiu trancar-se na antiga dor de sempre, naquela bendita companhia acolhedora. Eram amigas íntimas e, de vez em quando, uma se embutia na outra, ora moça, ora solidão. Mas a solidão enlouquece e um dia ela se viu diante da oportunidade de despejar seus anseios, provavelmente realizá-los, quando encontrou alguém que ria das mesmas bobagens, alguém que também açucarava, mas sabia acrescentar pimenta e sal na medida, e que também tinha pesadelos amargos, às vezes acordado. Alguém que sabia caminhar em meio à nebulosidade de sua mente, mas também sabia que ela podia ser dissipada com um sopro de carinho. Sim, ela encontrou esse alguém. Pois mesmo trancados e escondidos, acabamos sendo descobertos. Uma escorregada pelo mundo exterior e corremos o risco de virarmos alvos. Assim, sem nem pensar a respeito, ela foi encontrada. Ser encontrada não é o problema. O problema é se deixar encontrar. E a moça-solidão foi: caminhando rumo a um encontro que poderia ser desastroso, mas surpreendentemente, não foi.
Então ela, boquiaberta e braços escancarados, na ponta dos pés, querendo alcançar a lua, voou em direção à colisão: de almas, de corpos, de suores, de existência. Deixou largada no canto do quarto a roupa de solidão. Já não caía bem mesmo. Só agora ela percebia: parecia ter sido feita por um costureiro muito ruim, sem nenhum senso de estilo e que ainda por cima não gostava dela. Não, não. O tecido pinicava. Chega de se vestir de NÃO.
Mais um conto da parceria Ju Dacoregio e Ju Fuzetto
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