Enquanto juntamos retalhinhos...ouvimos doces melodias...
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015
É apenas a forma que tens de me olhar,
sem que eu dê por isso, como se entre mim
e ti o espaço não contasse; ou é
o risco no cabelo, antes de chegar à trança,
indicando o caminho para o sonho
em que nos abraçamos; ou é o teu sorriso,
num esboço de algo que se perdeu
entre um e outro café, por entre
perguntas e conversas; ou é o fundo
dos teus olhos em que adivinho
a noite, e tu me dizes que
o dia está para nascer; ou
são as tuas pálpebras, em que me
escondes a inquietação com que
fechas os olhos, quando as certezas
do coração te ferem; ou és tu,
no puro instante em que te vejo,
e só tu existes.
Nuno Júdice
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Posso beber o amor pelo copo dos teus lábios?
O disco chega ao fim; um ruído de rua
entra pela janela; não sei se ainda é dia,
ou se a noite começa. Mas o mundo
não interfere no equilíbrio frágil
das nossas vidas. Este copo não se esvazia; e
os teus olhos levam-me à fronteira
do sonho, para que a passe, e entre
contigo num país de nuvem. O meu passaporte
são as tuas mãos; o mapa que nos guia,
a respiração incerta do desejo. «Por
isso me perco», dizes. «Por isso te
encontro», respondo. E a noite que
nos separa é o dia que nos reúne.
O disco chega ao fim; um ruído de rua
entra pela janela; não sei se ainda é dia,
ou se a noite começa. Mas o mundo
não interfere no equilíbrio frágil
das nossas vidas. Este copo não se esvazia; e
os teus olhos levam-me à fronteira
do sonho, para que a passe, e entre
contigo num país de nuvem. O meu passaporte
são as tuas mãos; o mapa que nos guia,
a respiração incerta do desejo. «Por
isso me perco», dizes. «Por isso te
encontro», respondo. E a noite que
nos separa é o dia que nos reúne.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Em quem pensar,agora,senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer:"Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem,sermos o que sempre fomos,mudarmos
apenas dentro de nós próprios?"Mas ensinaste-me
a sermos dois;e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo,ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios,mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo,para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba.Como gosto,meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar:com
a surpresa dos teus cabelos,e o teu rosto de água
fresca que eu bebo,com esta sede que não passa.Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,como
gostas de mim,até ao fundo do mundo que me deste.
Nuno Júdice
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer:"Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem,sermos o que sempre fomos,mudarmos
apenas dentro de nós próprios?"Mas ensinaste-me
a sermos dois;e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo,ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios,mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo,para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba.Como gosto,meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar:com
a surpresa dos teus cabelos,e o teu rosto de água
fresca que eu bebo,com esta sede que não passa.Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,como
gostas de mim,até ao fundo do mundo que me deste.
Nuno Júdice
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
domingo, 21 de dezembro de 2014
Quero dizer-te uma coisa simples:
a tua ausência dói-me.
Refiro-me a essa dor
que não Magoa,
que se limita à alma,
mas que não deixa,
Por isso,
de deixar alguns sinais
um peso nos olhos,
no lugar da tua imagem,
e um vazio nas mãos,
como se tuas mãos
lhes tivessem roubado o tacto.
São estas as formas do amor,
podia dizer-te e acrescentar
que as coisas simples também
podem ser complicadas,
quando nos damos conta
da diferença entre o sonho e a realidade.
Porém,
é o sonho que me traz à tua memória
e a realidade aproxima-me de ti,
agora que os dias que correm
mais depressa,
e as palavras ficam presas
numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama
de dentro de mim e me faz
responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.
(Nuno Júdice)
a tua ausência dói-me.
Refiro-me a essa dor
que não Magoa,
que se limita à alma,
mas que não deixa,
Por isso,
de deixar alguns sinais
um peso nos olhos,
no lugar da tua imagem,
e um vazio nas mãos,
como se tuas mãos
lhes tivessem roubado o tacto.
São estas as formas do amor,
podia dizer-te e acrescentar
que as coisas simples também
podem ser complicadas,
quando nos damos conta
da diferença entre o sonho e a realidade.
Porém,
é o sonho que me traz à tua memória
e a realidade aproxima-me de ti,
agora que os dias que correm
mais depressa,
e as palavras ficam presas
numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama
de dentro de mim e me faz
responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.
(Nuno Júdice)
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